domingo, 19 de janeiro de 2014

Cicatrizes


Quando o vento
enviou minha mente
estava demente.
Quando o óleo sagrado
escorreu sobre as mãos
estava doente.
Sentia como um quê
de inverno
Um corpo estendido na cama
A hora do almoço
A hora do jantar
Olhar a janela
A luz rarefeita
estava quem sabe
para viver
para morrer
para ser feliz
com a cicatriz.

Fernando Medeiros

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Azul É a Cor Mais Quente: crítica do filme

As atrizes Adèle Exarchopoulos (à esquerda) e Léa Seydoux
Azul É a Cor Mais Quente é um estudo de três horas de duração sobre o primeiro amor lésbico, minuciosamente detalhista e voluptuosamente erótico. Seu roteirista e diretor, o franco-tunisiano Abdellatif Kechiche, teve um revés com seu último filme, Vênus Negra, de 2010. A cinebiografia imponente de Saartjie Baartman, escrava sul-africana que virou atração de circo no século 19, acabou se mostrando muito perturbadora para os distribuidores britânicos e americanos.
Após uma experiência dessa, a maioria dos diretores retrocederia para um território mais seguro, mas a maioria dos diretores não é Kechiche. Azul É a Cor Mais Quente é o retorno mais singular que o diretor de O Segredo do Grão poderia fazer, além de o filme mais rico de sua carreira.
Nada na narrativa do filme cronológico nem na ascensão e queda de seu romance central é particularmente novo ou ousado. Ainda assim, é incomum vermos a perspectiva libertária sobre o desejo jovem em sua maturidade emocional. Nossa heroína, Adèle (Adèle Exarchopoulos), começa o filme como uma colegial precoce e termina como uma mulher madura, mas com muito a aprender sobre si mesma.

Diferentemente de tantos outros filmes sobre relações homossexuais, que focam em sair do armário como a experiência gay definitiva, Azul É a Cor Mais Quente passa por essa etapa da vida de Adèle em um ousado salto do tempo, encontrando um drama mais profundo nos desafios que se desenvolvem por ela manter sua sexualidade indefinida.
Adèle tem 15 anos quando percebe que há algo errado em seus namoros.

O colega de classe Thomas (Jeremie Laheurte), menino dos sonhos, está em cima dela, mas ela não consegue esquecer um encontro passageiro com Emma (Léa Seydoux), estudante de arte de cabelos azuis. As garotas se reencontram na primeira e tímida ida de Emma a um bar de lésbicas, e o amor entre elas desabrocha rapidamente – levando a uma das cenas de sexo lésbico mais sensuais da história do cinema. Mas, ao contrário de Emma, mais velha e cosmopolita, Adèle nunca relaxa por completo em relação à sua identidade sexual e ainda a mantém cuidadosamente resguardada quando o filme pula vários anos para a situação em que o casal mora junto, em uma frágil felicidade doméstica.

A partir dessa história simples e sem nada de especial, Kechiche criou um épico intimista em todos os sentidos, com sutil reviravolta emocional representada na tela pelo rosto expressivo de Exarchopoulos. Com apenas 19 anos, a atriz representa sem nenhum esforço o crescimento de Adèle, de menina a jovem mulher. Enquanto isso, como é de praxe nos filmes do diretor, sua jornada individual tem lugar em uma rede movimentada de amigos, de familiares e de comida. Ele continua sendo um cineasta sociável, o que torna a ternura arrepiante do novo filme ainda mais notável.

Matérias publicadas na primeira edição do jornal " Tudo Acontece", resultado da oficina de jornal do Cecco Tear das Artes.


Contigo Michael

Campinas, 12 de Janeiro, terça feira de 2010.

Em primeiro, lembrar que escrevo essa carta em homenagem ao Michael Jackson.
Olha, fiquei decepcionada com a morte do Michael, ele tinha o apelido de Neguinho.
Olha, ele foi meu namorado quando eu morava em Oswaldo Cruz.
Ele era de Campinas e era muito carinhoso comigo; dormi com ele no barraco dele várias noites.
Fico muito triste com a morte do Michael Jackson. Ele morreu. Tá em paz neguinho meu amor, que foi amado tanto.
Com você fui uma princesa, uma rainha, uma estrela.
Meu príncipe adorado, sei que você teve muitos amores, mas eu também tive vários amores, lembro que você estava na praça com uma bicicleta e me carregou até a sua casa na bicicleta.
Puxa vida não era pra ser assim um mundo tão discrimalismo.
É o que espero ser, feliz sem nomes feios das pessoas; isso abala os nossos corações.

Isabeli Alves

Vídeo do João Poeta


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O PREÇO DA INTOLERANCIA


A que ponto chegamos em relação as diferenças, o quanto conseguimos, suportamos ou damos conta em conviver com as particularidades , diferenças , escolhas e opções contrarias às nossas.
Como poderíamos entender , compreender que vivemos em um mundo de diversas culturas , religiões, políticas, e formas de vida que pode gerar uma vida conflitante , se não procurar o dialogo ficaria impossível.
Viver em sociedade necessita um equilíbrio sobre as questões que surgem no cotidiano de vida  pois são 7 bilhões de pessoas vivendo inúmeros idiomas , costumes , religiões e pensamentos . Cada grupo tem um comportamento perante sua ideologia, crença, raça e  sexualidade.
Os casos de intolerância sempre ocorreram mas nunca estiveram tão evidente como agora.Casos de agressões pelo fato de intolerância devido a ignorância por não aceitação do outro, corroem a alma o homem  no conceito liberdade e sociedade.
Será que podemos nos sentir seguro se colocarmos nossas idéias em pauta? Há um falso moralismo um preconceito não  só racial mas também social que nos induz a determinar conceitos delirantes e equivocados sobre o que é certo e errado.
Viver em equilíbrio, harmonia respeitando valores, limites e direitos é o que buscamos como o ideal, porem à um longo caminho a ser percorrido para conquistar essa plenitude.


Grupo do Blog Tear das Artes
Benjamim Jacob
Shalom Aleichem

sábado, 28 de dezembro de 2013

Frase do dia

Quando discriminamos os outros, nós os diminuímos.
Quando os supervalorizamos, diminuímos a nós mesmos.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Doutores da Alegria

Mais de duas décadas de trabalho

Doutores da Alegria é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que, desde 1991, atua junto a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde. A essência do trabalho é a utilização da paródia do palhaço que brinca de ser médico no hospital, tendo como referência a alegria e o lado saudável das crianças e colaborando para a transformação do ambiente em que se inserem.
Em mais de duas décadas de trajetória, já realizou mais de 900 mil visitas com um elenco de cerca de 40 palhaços profissionais (não voluntários) e possui unidades em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Recife.
No Rio de Janeiro e em São Paulo, mantém um programa que leva variadas formas de arte, como circo, música e poesia, a pacientes de hospitais públicos, já tendo contemplado mais de 30 mil pessoas; e, no país inteiro, a ONG articula uma rede de iniciativas semelhantes.
Doutores da Alegria desempenha, por meio de sua Escola, um papel referencial na pesquisa da linguagem do palhaço e na formação de jovens, artistas profissionais e interessados – cerca de 180 jovens artistas já se formaram em um programa com duração de três anos. Outras atividades artísticas, como peças teatrais e as rodas besteirológicas, são apresentadas ao público em geral. Mantida por doações de pessoas e empresas, a organização é reconhecida em todo o país por seu profissionalismo e atuação inovadora.
Possui a certificação de utilidade pública nas esferas federal, estadual e municipal. Recebeu o Prêmio Criança da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, foi incluída três vezes na lista das 100 melhores práticas globais da divisão Habitat da Organização das Nações Unidas. Recebeu ainda o Prêmio Cultura e Saúde, concedido em junho de 2009 e 2010 pelo Programa Cultura Viva, iniciativa conjunta dos Ministérios da Cultura e Saúde. Recentemente, recebeu a certificação do Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS.
A missão dos Doutores da Alegria é promover a experiência da alegria como fator potencializador de relações saudáveis por meio da atuação profissional de palhaços junto a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde. Compartilhar a qualidade desse encontro com a sociedade com produção de conhecimento, formação e criações artísticas.
A visão dos Doutores da Alegria é tornar-se um centro cultural referência na arte do palhaço e nas artes cômicas em geral oferecendo acervo, publicações, cursos e produções artísticas que estimulem a reflexão e o diálogo crítico com diversos setores da sociedade.