Entenda as diferenças entre as psicoterapias antes de escolher a sua
Se você decidiu fazer terapia, saiba que existem vários tipos e entenda os métodos
Atualmente terapia se tornou
algo comum, as pessoas procuram esse tipo de tratamento quando estão
tristes, com alguma doença emocional ou mesmo para se conhecer melhor.
Mas como nada na vida é simples, não adianta apenas escolher fazer
psicoterapia, é preciso decidir qual o tipo que será seguido. "Na
verdade existem várias abordagens diversas que podem ser utilizadas ao
longo de cada situação", explica Fernando Elias José, psicólogo clínico e
mestre em Cognição Humana pela PUC-RS.
Claro que não é só a
metodologia usada pelos diferentes profissionais que é importante. "Mais
relevante para o tratamento é o vínculo estabelecido entre o paciente e
psicoterapeuta", ressalta Emília Afrange, vice presidente da Associação
Brasileira de Psicoterapia (ABRAP). Ainda assim, o perfil de cada
pessoa pode se encaixar melhor em um determinado tipo de psicoterapia.
Para ajudá-lo a escolher, elaboramos um guia com as mais comuns aqui no
Brasil e de que forma elas trabalham:
Psicanálise freudiana
O autoconhecimento é a chave desse tipo de
psicanálise, baseada no pensamento de Freud. "Ela foca o inconsciente e
traz seus problemas para o consciente. Normalmente a consulta leva um
tempo maior e o psicanalista aborda a história do paciente, suas
relações familiares e principalmente a infância", ensina Priscila
Gasparini, psicanalista da Universidade de São Paulo (USP). Normalmente o
profissional não faz um direcionamento, deixando com que a pessoa
decida sobre o que quer falar. Normalmente é indicada para pessoas que,
mais do que simplesmente sanar um problema, estão atrás de descobrir a
origem e a chave de suas questões e se conhecer mais.
Psicanálise junguiana
Jung era discípulo de Freud, mas acredita em
conceitos como o inconsciente coletivo, em que as pessoas trazem dentro
de si conceitos que são universais. De acordo com Fernando Elias José,
psicólogo clínico e mestre em Cognição Humana pela PUC-RS, a dinâmica é
muito semelhante ao estilo freudiano, em que o paciente vai conversando
sobre o que lhe vem a mente. Porém, muda o que está sendo analisado pelo
profissional. "Ela leva em consideração o inconsciente, o que é
reprimido e tratá-lo através de símbolos, imagens oníricas, usando os
sonhos como método de análise", diferencia a psicanalista Priscila.
Também está mais ligada à busca pelo
autoconhecimento e a recuperação da própria essência, mas também pode tratar depressão, ansiedade e encontrar a raiz desses problemas.
Psicanálise lacaniana
Lacan também estudou com Freud, mas diferente
dele e de Jung, ele acreditava no poder da linguagem sob o ser humano.
"Ele falava de associação livre de palavras, e para ele através da
linguagem chegamos ao núcleo do ser", define Priscila. Normalmente, as
sessões dessa psicoterapia não tem hora para acabar, mas isso não
significa que sejam muito longas, o terapeuta pode encerrá-las até de
forma curta, e isso também está relacionado aos objetivos do tratamento.
Essa abordagem também é mais voltada a quem busca o autoconhecimento.
Gestalt
É considerada uma terapia holística, justamente
por levar em conta o todo das situações. "Ela sempre examina o paciente
as relações no que está em torno, o foco é trabalhar a pessoa no
ambiente onde ela está, mas fazer com que ela se afaste da situação para
ter a noção do todo", revela Priscila. Essa análise é feita baseado na
conversa, mas o profissional vai direcionando o diálogo e fazendo
perguntas, pedindo descrições do papel de cada um nas situações e
tecendo considerações. Tudo isso para ajudar o paciente a ter a tão
buscada visão do todo, e sempre em situações que acontecem no presente e
precisam ser resolvidas agora, sem se voltar tanto ao passado.
Terapia cognitivo-comportamental
É um tipo de terapia, chamada também de TCC mais
focada em problemas específicos e na melhor forma de saná-los. Seu
principal foco está na resolução de traumas, apesar de servir para
outros tipos de problemas. "São estabelecidas metas e então se trabalha a
mudança do pensamento, que provavelmente está gerando o sentimento que
levou o paciente ao consultório", define Fernando Elias José. O
especialista também lista os bons resultados da técnica com problemas
como Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), Transtorno de Déficit de
Atenção e Hiperatividade (TDAH) e para fobias.
Terapia familiar
E quando o problema não é você? Pode parecer
frase de fim de namoro, mas muitas vezes a raiz dos males de uma pessoa
pode estar em outra fonte. Caso ela seja a estrutura familiar, existe um
tipo específico de terapia para isso. "Foco é em questões da família
inteira, no casal ou do relacionamento entre pais e filhos. Muitas
vezes, ela pode ser feita em paralelo com um tratamento individual de um
dos membros", ressalta Elias José. Ela é feita em forma de debate, com
todos conversando sobre os problemas. Algumas vezes podem até sair
desentendimentos que o psicólogo precisa apartar. O único problema desse
tipo de terapia é que ela precisa do consentimento de todos os membros
para que dê certo. "Precisam estar todos abertos a aceitar, normalmente
tem sempre um que nega o problema, e a raiz normalmente é justamente
ele", considera Priscila.
Psicodrama
Para as pessoas mais teatrais, o psicodrama pode
ser uma bela alternativa. É um tipo de terapia que pode ser feita em
grupo ou individualmente, e o paciente interpreta papeis que tenham a
ver com seus problemas. "As pessoas podem reviver situações de trauma e a
partir daí ter outros entendimentos. Pode falar coisas que não
conseguiria ter falado na hora, por exemplo", explica Elias José.
Normalmente o coadjuvante auxilia ou apenas observa e deixa que o outro
extravase sua emoção. Mas não são todos que vão gostar desse tipo de
tratamento. "Para um tímido não daria certo, por exemplo, ou uma pessoa
que não gosta de expor seus problemas", ressalta Priscila.
Psicoterapia breve
Ela não se trata de uma técnica, e sim do foco da
terapia. Todo paciente que busca ajuda profissional para um problema
pontual e específico, como uma culpa, um medo ou uma angústia, pode
recorrer a esse tipo de psicoterapia, que tem uma duração muitas vezes
mais curta. E todas as abordagens explicadas nos slides anteriores podem
ser usadas com esse fim. "Há um em um único problema e trabalha inicio,
meio e fim. Quando termina de resolver o que queria ele recebe alta e é
avisado que pode trabalhar outros fatores localizados pelo profissional
durante as consultas", explica Priscila. Então, depende do paciente
continuar e investigar mais, ou simplesmente encerrar a terapia.
GRUPO TEAR DAS ARTES
BENJAMIM JACOB , MAZZA