Em um bate-papo emocionante no Tear, Núbia reflete sobre raça, acolhimento, politicas públicas e a busca por respeito mutuo.
Blog do Tear: O que você acha de estar sempre participando aqui?
Nubia : Eu acho muito importante, porque as pessoas debatem e constroem ideias, um espaço muito confortante e gratificante.
Blog do Tear: Quem é você? A Núbia pela Núbia?
Núbia: A Núbia é uma mulher ativista, travesti, negra, ...Então eu me vejo o debate da assistência social, junto com a saúde, debatendo sobre vulnerabilidades sociais, aonde procuro construir uma sociedade de mais igualdades, que tenha um olhar diferente, para as pessoas em situação de vulnerabilidade.
Créditos da foto: Núbia.
Blog do Tear: Como você chegou até o Tear?
Núbia: cheguei aqui no Tear das Artes, através do Psicólogo Rodrigo Presotto, que me convidou para conhecer este local e acabei gostando de participar, cheguei aqui mais ou menos em 2005. Lembro que ele falou que era muito importante neste espaço ter pessoas diversas e com culturas diferentes.
Blog do Tear: Você pode nos explicar o que é O Transcender?
Núbia: È o ambulatório de pessoas transsexuais e travesti, que fica na Santos Dumont, faz um papel fundamental, e eu vim de lá e onde ainda frequento.
Blog do Tear: Você pode contar para gente um pouquinho da inspiração de seu look hoje?
Núbia: Eu venho de uma visão, que nós da periferia somos todos indígena, e vim assim vestida de turbante, para lembrar nossos ancestrais, nosso povo indígena, nosso povo que sofreu, foi escravizado, e temos que construir políticas públicas, para que essas pessoas não sejam discriminadas pela a sociedade.
Blog do Tear: Você percebe as pessoas te olhando diferente, porque você veio de ônibus ?
Núbia: Percebo que os olhares são diferente, termos que defender nossas origens, nosso tabu, conhecer nossas culturas, nossas origens, nossas religiões, e pensar que a construção da sociedade, é muito importante, e sempre dar espaços para podemos falar, aquilo que pensamos, desde que não ofenda o próximo.
Blog do tear: O que você acha da Casa de Cultura Andorinhas ?
No andorinhas ainda não conseguir estar indo, devido algumas atividades que faço, e não tenho tempo de estar indo sempre. O Tear é muito importante para mim, porque aqui traz pessoas diferentes, e com culturas diferentes, traz uma harmonia de paz, um acolhimento muito humanitário e recíproco.
Blog do tear: Você não sofre nada de discriminação, não ?
Todo questionamento tem uma crítica. Mas eu me aceitando , Então se a gente não vai, questiona e fala assim, não! a gente pode ser o que quiser.. Mas eu me aceitando, eu gostando de mim mesma, eu vendo, meus espaço onde eu posso falar, e onde me cabe...ai é o problema do sistema que se incomoda com uma travesti negra, ou como uma mulher do Candomblé....é um problema da sociedade e não meu
Blog do tear: E sobre seu trabalho de educadora no projeto Sim, Eu Posso ?
Núbia: Trabalhei no Sim, Eu Posso, como educadora no Campo Belo, foi muito bom poder pensar com os alunos, e debate com as pessoas as vulnerabilidades, as pessoas tem o direto de estudar .de ter lazer, e de expor suas ideias, pois tenho um olhar de uma ativista, e falo como uma mulher preta, uma travesti preta, eu vou falar e vocês vão ter que me ouvir. Porque não é assim que se faz.
Blog do tear: Como você vê o SUAS ( Sistema Único de Assistência Social) aqui na cidade ?
Núbia: eu vejo que há uma precariedade, numa assistência publica, que não trabalha com a vulnerabilidade, só com o assistencialismo, isso é uma coisa bem antiga, quando eu olho para a nossa querida secretária de assistência social, ela não tem construção de políticas públicas. E eu olho e faço o debate, como atendida, como trabalhadora...E eu chego e falo: ' Não , não é assim, não é assim que a banda toca aqui. Você vai ouvir sim. È preciso construir um consenso para outros olhares, tanto para os povos de matrizes africanas e outros olhares para quem sofre a vulnerabilidade social.
Blog do tear: Tem alguma lembrança daqui, que você guarda com carinho ?
Núbia: Eu guardo de lembrança, o Rodrigo Presotto, e o primeiro sarau que participei no Andorinhas, aonde tinha diversidade de pessoas. No começo, tenho boas memórias daqui, das lembranças boas, das pessoas aqui contentes, quando tinha o sarau. e mim identificava com a música, a dança.
Blog do tear: O que você deseja para o futuro do tear ?
Núbia: Eu vejo para o futuro deste espaço, que as pessoas acabam construindo com outros olhares, e vejo outras oficinas diferentes, e trazer possibilidades de olhares diferentes, e que os próprio frequentadores, ter opção de construir, novas oficinas, e ter mais acesso livre,
Blog do tear: Hoje a gente entra num relacionamento. só que a pessoa acha que a gente é uma propriedade dela. é uma coisa possessiva ?
Núbia: A gente tem que tirar o sentimento de posse, porque é algo doentio num relacionamento, algo que pode adoecer, quando somos visto com sentimento de posse, temos que ter cuidado com isto, e ter responsabilidade afetiva, ter o respeito, ter compreensão quando a pessoa está sem dinheiro, e quando um estiver em crise, está do lado da pessoa.
Blog do tear: Como seria a responsabilidade afetiva na amizade ?
Núbia: Na amizade, termos que se perguntar, se a pessoa está bem, ver como ela esta, e sempre pensar neste contexto juntos.
Blog do tear: E das promotoras legais populares (PLPs) ?
Núbia: Sou promotora legal popular PLP, aonde termos que saber os nossos direitos,
Blog do tear: Quais são suas preocupações , ao cenário político ?
Núbia: A minha preocupação no cenário político, enquanto trabalhador, pode perder direito, dependendo do político que vamos votar, e olhar para o trabalhador como humano e não como um robô, e dependendo do governo eleito, vamos perder todos os nossos direitos conquistados.
Na política, temos que ver as propostas que o político nos oferece, para não vivemos a mesma época da covid 19, aonde ao invés da vacina, foi comprado a cloroquina.
Blog do tear: O que você achou da entrevista, você gostaria de deixar uma mensagem final ?
Núbia; Eu penso que a Núbia, é uma mulher que questiona, como uma criança. mas a gente adulto, termo que questionar, e incomodar e dizer que não é assim que constrói política públicas, que ai o sistema vai se incomodar e mudar.
A gente constrói tudo junto, e sobre mim, é muito importante a gente falar das pessoas , e não ter medo, poder falar, questionar, tirar dúvidas, e ir para luta, em busca de nossos direitos.
Foto de Oficina no Tear.
Blog do Tear: Hoje compartilhamos com nossa comunidade, uma entrevista especial com nossa frequentadora Núbia, e um diálogo aberto, afetuoso e cheio de aprendizado, sobre cidadania e ancestralidade.
Agradecemos muito a presença da Núbia, pela sua participação, que acrescentou muito em nossos conhecimentos e cultura.
Redator: Rivaldo. Entrevistadores: Osvaldo, Giovani, Paulo.







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