Hoje nossa conversa girou em torno do tempo. Do tempo que passa rápido, do tempo que marca o corpo, da memória que fica e da esperança que ainda caminha na frente da gente.
Falamos sobre a vida como
ciclo. Sobre respeitar os tempos das pessoas, das gerações, das
famílias e das mudanças.
Alguém disse que “a gente
não morre e vai para outro mundo”, como quem lembra que seguimos
vivos nas lembranças, nos afetos e nas marcas que deixamos.
Entre
a antiga geração e a nova geração, apareceu uma pergunta:
Se
pudesse escolher, você voltaria ao passado ou visitaria o
futuro?
As respostas vieram cheias de desejos, dores e
sonhos.
Teve quem escolhesse visitar o século
22.
Imaginando um futuro onde acabem o desemprego, a fome, as
guerras e a violência.
Um futuro com mais felicidade, respeito
e escolaridade para as pessoas.
Outras falas voltaram para
o passado.
Teve quem desejasse melhorar a educação.
Quem
quisesse mudar marcas do próprio corpo, transformar cicatrizes
antigas em cicatrizes mais leves, quase invisíveis.
Também
surgiram lembranças curiosas e afetivas do presente:
o desejo
de que o YouTube não retirasse antigas dublagens, guardando vozes
que fazem parte da memória de muita gente.
Uma fala
comentou que o tempo da família parece passar mais rápido.
Os
filhos crescem, os encontros mudam, os dias correm sem pedir
licença.
E teve quem dissesse que não gostaria de voltar
ao passado, porque ali existe muito sofrimento guardado.
Às
vezes, seguir em frente é também uma forma de cuidado.
No
meio da conversa apareceu a música “Olha o Trem” de Raul Seixas, atravessando a
roda como metáfora da vida:
“Quem vai ficar?
Quem
vai partir?
Não precisa de passagem
E nem de
bagagem.”
Talvez o tempo seja isso mesmo: um trem em
movimento.
Alguns embarcam nas lembranças, outros preferem
olhar pela janela em direção ao futuro.
No
fim, sobraram palavras simples, mas cheias de sentido:
família,
trabalho, respeito, felicidade.
E talvez sejam elas que
continuam viajando com a gente, mesmo quando o tempo acelera.



