quarta-feira, 18 de outubro de 2017

As diferenças de ideias e interpretações

Muitas vezes as diferentes interpretações das pessoas geram conflitos. Às vezes do próprio paciente, às vezes dos profissionais de saúde. Nem sempre conseguimos dizer aquilo que sentimos ou pensamos de uma maneira que os outros possam entender. Por vezes, os profissionais de saúde também dizem coisas que nos fazem sentir ofendidos. Um profissional precisa ter o cuidado e o respeito redobrados para que não gere mais conflitos e mal entendidos.
Devemos lembrar que não podemos generalizar todos os profissionais de saúde, nem todos são despreparados. Lembramos também que os profissionais são pessoas e estão sujeitos a erro. Os profissionais, como os pacientes, tem dias ruins. Separar essas coisas é difícil, mas é um exercício necessário.
Temos que levar em conta o lado afetivo, relacionamentos e o psicológico de cada pessoa. É importante poder pensar, refletir para não tomar ações erradas. Há, porém, algumas coisas que não tem justificativa: preconceito, negligência e expor os pacientes.


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Um aprendizado com a trajetória de Toninha

Hoje entrevistamos a funcionária Maria Antônia, "Toninha", em sua última semana de trabalho aqui no Tear das Artes, depois de 11 anos conosco. Toninha é uma das funcionárias com mais tempo de casa, aqui no Tear das Artes. Toninha é um patrimônio imaterial da rede de Saúde Mental de Campinas.

Blog do Tear - Como é a experiência de se aposentar?

Toninha - Foi muito difícil quando decidi sair do Tear. Há 11 anos eu trabalho aqui. Então se aposentar tinha dois lados, um lado bom e um lado mais difícil. Eu passei mais tempo aqui do que em casa, muitos dias.
As pessoas que trabalham aqui são muito especiais, me acolheram muito, e eu acolhi também novos que chegaram. A troca entre nós foi muito importante: ensinei mas aprendi muito com a equipe. O Rodrigo, temos uma história já de longa data. Me acolheu muito bem.
Com o passar dos dias, essa dor foi diminuindo, e eu fui pensando: "meu dever foi cumprido. São outros ciclos... Agora é ver a família, conversar com os vizinhos, que quase nunca tenho tempo. Agora estou alegre, sabendo que eu fiz meu melhor aqui.
 Espero que Deus me ajude a concretizar outras coisas. Não tenho muitas pretensões, mas viver outras coisas que a vida pode oferecer.
 
Blog do Tear - Você fez um trabalho brilhante. Mas dedicar a vida só à família, é delicado.

Toninha - Acho que para os homens é mais complicado. Depois que eles se aposentam, na nossa sociedade, não tem muito o que fazerem. As mulheres, nunca param. Tem a família, a casa, outras coisas para cuidar. Tenho um vizinho, por exemplo, que varre a frente das casas na rua. É só um exemplo, mas ele diz que isso é a rotina dele e organiza o dia a dia.


Blog do Tear - Hoje tem também muitas possibilidades de programas para a terceira idade.

Toninha - Também acho. O que não dá é a gente se acomodar muito. Meus filhos, por exemplo, não moram perto. Quem mora comigo é minha mãe.

Blog do Tear - Às vezes as famílias colocam a avó para cuidar dos filhos, ajudar na casa. Ou seja, tem muitas avós que só cuidam dos netos.

Toninha - Eu concordo. Isso acontece bastante, muitas colegas que eu converso falam isso. Acho que isso não pode virar rotina. Eu fui muito ativa para que meus filhos fizessem suas famílias, e vivessem suas vidas.


Blog do Tear - Toninha, a gente percebe que você sempre trata todos os usuários com muito respeito e tranquilidade. Como foi vir trabalhar em um serviço da saúde mental?

Toninha - Minha chegada aqui foi uma surpresa. Eu quando cheguei aqui tratei as pessoas sem barreiras, sem ver doença nem nada, assim que eu tratei os usuários. Eu não sabia que as pessoas tinham problemas de saúde, então acho que isso ajudou muito. Uma vez eu estava lavando alguns panos lá fora, e um usuário chegou e me disse "Você sabe que eu já morei nos Estados Unidos? Eu jogava no Yankees (time de futebol americano). E eu tive alguns problemas na perna, e ganhei muito dinheiro." Eu fui mais ouvindo, do que falando qualquer coisa. E eu tinha morado seis anos nos Estados Unidos. Então, mais tarde, vim almoçar e comentei isso com a coordenadora do Tear na época. Ela começou a rir, e disse "Não, Toninha, na verdade não tem nada disso." Então eu sempre ouvi o que me diziam.


Blog do Tear - Toninha, tem uma dimensão sua, a da Maria Antônia, que aparece mais para as pessoas que tem mais amizade com você. Você é uma pessoa polivalente, que faz muitas coisas. Como você começou com as Práticas Integrativas?

Toninha - Quando eu cheguei no Tear, a coordenadora me deu algumas oportunidades. Eu entrei para limpar e cuidar do Tear, como zeladora. Eu não gosto da mesmice, se eu posso fazer outras coisas, eu vou querer. Então comecei na culinária, ajudando, me integrei bastante na cozinha. Por 3 anos eu era responsável por limpar a cozinha. Era a primeira tarefa do dia: eu limpava tudo, panos, fogão, etc... Os meninos da cozinha chegavam e já estava tudo limpo. Um dia me disseram "A cozinha não é serviço seu." Quem devia limpar a cozinha, era o próprio grupo de culinária, que já fazia os pastéis.


Um tempo depois, chega o Rodrigo. Ele me convida para fazer o alongamento. A princípio eu neguei, mas peguei muito gosto pela atividade. Me divertia muito, e não queria parar de fazer. Isso foi crescendo, bastante gente vinha. O Rodrigo, um dia, me disse que ia sair do Tear das Artes, e iria para outro cargo. Eu fiquei muito triste, pela saída dele e pelo fim do grupo. E então ele me disse "Não, vai continuar. Você pode continuar com a ginástica, conduzindo!" E eu continuei... Minha relação com essas pessoas era muito boa, gosto muito das pessoas mais idosas. Eu mantinha um livro, com o nome das pessoas e os telefones. Um dia eu contei, e eram mais de 200 pessoas, que já tinham frequentado a ginástica. Isso foi antes de fazermos ali no shopping, era aqui mesmo no Tear.

Quando o Tear foi assumido pela Prefeitura, a nova coordenadora me disse que essas atividades e outras que eu fazia, eram disfunção, em relação ao cargo que eu fui contratada. Foi uma pena. Eu entendi que eu não poderia fazer algumas atividades, mas foi muito doloroso. Até hoje as senhoras lembram desse grupo.

Blog do Tear - Você também conheceu o Prefeito Toninho, se puder nos contar um pouco.

Toninha - Eu trabalhei como copeira no gabinete do Prefeito, na Prefeitura de Campinas. Peguei a administração do Francisco Amaral e do Toninho. O Toninho era uma pessoa muito especial. Me tratava muito bem. Chegava primeiro o guarda, depois eu, e depois o Prefeito, de terno e tênis. Tenho muitas histórias dele. No último gabinete ele deixava a porta aberta.
Quando eu disse que iria embora para os Estados Unidos, ele me fez uma carta, assinada, para me ajudar a conseguir emprego.

Blog do Tear - Você passou um tempo no estrangeiro. Você pode nos contar disso, e da sua volta?

Toninha - Eu fui para os Estados Unidos em um momento difícil da vida, durante minha separação. Minha irmã morava lá, e eu acabei indo.  O Toninho morreu no dia 11 de Setembro, no dia também que aconteceu o ataque às Torres Gêmeas. Foi um momento difícil: a tristeza no Brasil e também nos Estados Unidos.

Eu fiquei lá 3 meses desempregada, porque eu não falava inglês. Um dia saiu um anúncio no jornal que precisavam de uma empregada doméstica que falasse português. O casal era um homem estadounidense, judeu, e uma mulher nascida em Portugal. Os pais dela eram portugueses, e ela gostaria que os filhos aprendessem português, por isso fizeram o anúncio. Quando eu vi a casa, já quis voltar. Eu olhei e já pensei "Não vou dar conta...". Mas tinham outros funcionários. Fiquei 6 anos lá. Mas meu pai adoeceu e eu quis voltar.

A volta, com certeza, foi muito melhor que a ida. Reencontrar o país, a família, etc... Na semana seguinte que eu voltei, já comecei a trabalhar de diarista. Meu antigo chefe me ligou, um ano depois que eu voltei, dizendo que havia uma vaga no "Tear das Artes". E foi assim que eu cheguei aqui.

Blog do Tear - Toninha, você fará muita falta aqui no Tear. Obrigado pelo seu tempo e sua colaboração.

                                                                         (Toninha)




                                                 (Equipe do Blog do Tear com Toninha)




quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Entrevista Com a Residente Jéssica

Hoje vamos entrevistar a Residente Jéssica Bussioli, do programa de Saúde do Adulto e Idoso da UNICAMP. Jéssica participou conosco nos encontros do Grupo do Blog do Tear durante o primeiro semestre do ano.

Blog do Tear - Vocês não são concursados? 

Jéssica - Não, os residentes são como "concursados temporários". Passamos por um processo seletivo para ingressar na residência, mas não somos profissionais da Prefeitura. Discutimos com nossos tutores as atividades que iremos participar. O blog era uma das atividades que queríamos conhecer.

Blog do Tear - Jéssica, o que você aprendeu durante esses seis meses de residência? Qual foi a mudança no seu modo de ver e compreender a prática em saúde?

Jéssica - Eu gosto muito da Atenção Básica. Para mim faz mais sentido cuidar da pessoa ao longo da sua vida. Prefiro do que cuidar apenas quando está doente. Eu fiz estágio na Atenção Primária, mas era menos tempo. Em um mês de Residência eu fiz o equivalente a todas as horas de estágio na Atenção Primária, durante a graduação.
O que foi mais interessante, é poder ver "concretamente" tudo o que eu lia nos livros e cartilhas. Por exemplo, a questão do vínculo. Estando lá tanto tempo, começo a perceber o que é vincular-se com os usuários. Por isso era tão importante para mim me despedir de vocês.

Blog do Tear - Você é enfermeira. Lida com as pessoas, com o povo. Qual seu ponto de vista em relação à situação da população atendida pelo Centro de Saúde Vista Alegre, onde você trabalha?

Jéssica -  O serviço de saúde, o Centro de Saúde ou UBS, é "porta aberta". Ou seja, qualquer um pode acessar. Porém, muitas vezes, as pessoas chegam com queixas que vão além do meu saber técnico como enfermeira, por exemplo. Uma pessoa que está sem ter o que comer, ou sem moradia, ultrapassa meu conhecimento técnico como enfermeira. Contudo, são queixas de saúde, demandas que não necessariamente eu poderei resolver. Mas é minha responsabilidade dar encaminhamento a essas queixas. Não é porque não se trata de um curativo ou consulta médica que eu não posso ajudar.
Vejo também que o Centro de Saúde se "protege" de tanta demanda, tornando o acesso um pouco mais burocrático.
Muitas das questões que aparecem, pedem uma escuta e uma conversa. Nem tudo é resolvido com as ações mais "clássicas" em saúde, como o cuidado do corpo, por exemplo, cuidado com a doença, e não com a pessoa.
Por isso eu gosto muito desse espaço do Blog.

Blog do Tear (Oswaldo) - Eu trabalho assim também. Um pensador, com raciocínios. Eu gosto de escrever e pensar sobre as relações humanas. Não podemos ignorar uma ferida, de alguém que se foi, de uma mágoa...Vocês pensam como eu, então? É assim que vocês trabalham?

Jéssica - Sim, Oswaldo. Mas nem todos pensam que nem nós. Fingir que não existe, uma ferida "que a gente não enxerga", como a perda de alguém querido, é tão grave quando fingir que uma ferida na perna não existe.

Blog do Tear (Rivaldo) - A gente sempre fala de coração machucado, mas na verdade é o cérebro né? O coração não é capaz de sentir ou processar emoções. É no cérebro.  Agora, algumas pessoas vem e dizem uma coisa, mas na verdade o problema é outro. 

Jéssica - Sim, isso acontece. Em qualquer relação humana, quando falamos uma coisa, nem sempre a pessoa entende aquilo que quisemos dizer. Tem um monte de fatores envolvidos nisso. A compreensão da pessoa, as palavras que eu usei quando disse minha mensagem.

Blog do Tear - Mas isso se resolve com capacitação dos profissionais, não?

Jéssica - Olha, também. Mas a comunicação sempre está sujeita a "falhas". É uma coisa da própria relação humana, que vai além da relação entre paciente-profissional de saúde. 

Blog do Tear - Os profissionais por vezes são muito despreparados. 

Blog do Tear (Rivaldo) - Sim, mas na realidade cada lugar tem um tempo. A terceirização, a pressão pela produção, pode ocasionar erros. E onde você trabalha, no Centro de Saúde, não tem nada a ver com produção. Isso é na fábrica. 

Jéssica - Eu concordo! Infelizmente, apesar da Prefeitura não ser uma empresa, também tem grandes cobranças de produção (atendimentos, ações de saúde, etc...) Mas falta o recurso e o dimensionamento adequado para dar conta de toda a demanda, da maneira que eu gostaria.

Blog do Tear - Jéssica, você tem tatuagem?

Jéssica - Agora estamos falando de outros assuntos!

Blog do Tear (Nilton) - Tem um projeto de Lei para acabar com a estabilidade dos servidores públicos concursados. Eu sou completamente a favor disso. Porque muita gente que passa em concurso trabalha mal, falta...É complicado. E os bons profissionais sofrem por isso. Tem muito um pensamento de "Eu já garanti o meu, agora que se exploda."

Jéssica - Esse é um tema complicado. E também as pessoas se mobilizam pouco. Muitas pessoas são coniventes com profissionais ruins. É a mesma coisa que a situação política do país. Sabemos de muitas coisas erradas que acontecem, mas nos mobilizamos muito pouco. Precisamos cobrar e estar atentos!

Blog do Tear - As pessoas cuidam mal também dos materiais e dos serviços públicos. A população é um pouco cúmplice disso ai.

Jéssica - É difícil. Nosso senso de coletividade, no Brasil, é complicado. Como vocês disseram, tem essa ideia de "garantir o meu". A noção de público é muito frágil aqui no nosso país.

Blog do Tear - O que também prejudica os serviços é o corporativismo. Ou seja, alguém da equipe faz coisas erradas, e os outros passam a mão na cabeça. Médico que chega atrasado, porque tem atendimento particular. Todos sabem, mas ninguém fala nada.

Jéssica - Sim, e tudo isso esbarra no nosso trabalho. Trabalhar na Atenção Primária é trabalhar com a coletividade, então tudo impacta no nosso dia a dia.

Blog do Tear - Como é trabalhar com essas questões que não são especificamente do núcleo da enfermagem, como a escuta e o acolhimento?

Jéssica - Nós temos algumas formação para compreender e escutar os pacientes. A psicologia tem isso mais direcionado. Mas na realidade todo profissional de saúde tem a obrigação de escutar os pacientes. Não só ouvir, deixar entrar no ouvido. Agora, quando eu percebo que não tenho mais ferramentas suficientes, para algum caso, eu acesso outros profissionais da equipe, como a Equipe de Saúde Mental, para um apoio e avaliação.

Blog do Tear - Você sente alguma dificuldade por ter essa escuta mais humanizada, sendo enfermeira? É muito importante que nós, profissionais, seres humanos, estejam abertos para aprender outras coisas, e trabalhar de um modo que não seja aquele "clássico" dentro das profissões. Como é isso para vocês?

Jéssica - Sim, bastante. A minha profissão abrange vários espaços de cuidado. No Centro de Saúde estamos em todos os lugares (a enfermagem). Para algumas questões tem protocolos bem definidos: como para algumas doenças (tuberculose, sífilis) e algumas condições (como a gestação).

Por vezes somos cobrados para ter uma postura simplesmente técnica. Por exemplo, aplicar uma medicação. Se procuro saber quem é, para que está sendo medicada, conversar com a pessoa, alguns profissionais estranham. Pensam que pode ser perda de tempo. Isso pode ser devido à especialização da saúde, ou seja, cada questão específica é encaminhada para um profissional ou especialidade específica.
Mas esse não é um tempo perdido. Muitas outras coisas podem aparecer se nos disponibilizarmos a escutar e não ouvir. A noção da produtividade é muito forte.

Blog do Tear - E como foi a experiência de estar aqui no Blog Do Tear com a gente?

Jéssica - Eu gostei bastante. Por isso fiz questão de me despedir de vocês oficialmente. O que eu gostei mesmo é que vocês discutem os temas que aparecem, e são temas polêmicos. O que chama minha atenção é que vocês se respeitam muito, apesar das opiniões bastante divergentes. Penso que isso é um espaço que pode criar, como conversávamos antes, esse senso de coletividade que está em falta no nosso país.
Expor as opiniões, escutar a diferença, nos faz aprender, ser mais tolerantes e respeitosos. Acompanhei pouco, mas vocês já estão aqui há muito tempo, e mal posso imaginar o quanto já construíram e cresceram com isso.
Para mim, isso tem tudo a ver com saúde. Uma saúde mais ampla, que produz. Eu gostei muito!

Blog do Tear - Nós também gostamos muito, Jéssica. Desejamos a você sorte no Centro de Saúde. Agradecemos sua presença.

Blog do Tear (Sr. Alcino) - Muito obrigado. Você trabalha perto de casa, quem sabe eu não consigo te encontrar lá no Centro de Saúde!

Blog do Tear (Giovane) - Você continua no Centro de Saúde? Eu vou lá sempre te ver. Se puder, venha nos visitar.

 

                                        (Jéssica, em primeiro plano, com o Grupo do Blog)

 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Combinados na Convivência Familiar Cotidiana

Hoje o Grupo do Blog do Tear discutiu os combinados e os contratos que organizam nossa convivência em família, no nosso dia a dia.

Dividir as tarefas domésticas, compartilhar os cuidados com a casa e fazer acordos que facilitam a convivência, são arranjos necessários.

Conviver com o outros é sempre delicado, e estipular limites, contratos e acordos são sempre necessários. Alguns usuários dizem que quando estão em crise ou não se sentem bem, fica mais difícil para dar conta das tarefas familiares, domésticas e cotidianas.

Todos os integrantes contaram de seus acordos na família: dividir as louças, levar o lixo para fora, etc... Alguns disseram que recebem outras coisas em troca de compartilhar as tarefas: os mais jovens recebem uma "mesada", outros preferem uma comida de seu gosto, etc...

Um dos integrantes nos conta do esquema de "metas", como algo que organiza o dia a dia. Ou seja, "trocas" e acordos com os integrantes da família.

Compartilhar as tarefas do dia a dia facilitam a convivência com os familiares e também são importantes para estabelecer uma rotina, o que é importante para nos sentirmos melhores, mais produtivos e ter o sentimento de contribuir com nossos familiares.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Blog do Tear Entrevista: Psicólogo Bruno

Hoje continuaremos nossa sequência de entrevistas e elegemos um dos nossos membros que recentemente teve uma experiência internacional. O Bruno, psicólogo e residente do programa de residência em saúde mental da UNICAMP, que no mês de agosto fez estágio de 1 mês na Argentina, na cidade de Rosário.

Blog do Tear (BT): Bruno, você esteve na Argentina e queria saber se você foi para um serviço específico ou para a rede de saúde no geral? 

Bruno (B): Fui inicialmente para visitar os serviços da atenção básica de saúde e terminei por visitar muito mais serviços que planejei. Visitei na maior parte serviços de saúde mental, mas também outros serviços da rede saúde de Rosário. Ao todo fui em uns 15 serviços.

BT: Com relação ao transporte você andou muito de carro, de Escort Argentino? Ou usou outro meio de transporte?

B: Diferentemente de Campinas, o transporte público em Rosário funciona muito bem e não é caro. Enquanto pagamos aqui R$ 4,50 lá o ônibus custa 10 pesos (Que vale R$ 2,00). A maioria das pessoas usa ônibus e o transporte é de boa qualidade. Normalmente não é necessário ficar trocando de ônibus para ir de lugar ao outro.

BT: Mas a cidade é pequena lá? 

B: Não é não tem aproximadamente 1 milhão e 500 mil pessoas em Rosário. É a terceira maior cidade da Argentina.

BT: Como você foi até lá?

B: Fui de avião, apesar de querer ir de carro porque a viagem é muito bonita, tive que ir assim porque ia ser muito caro viajar em carro. A distância é mais ou menos 1700 kilometros. O interessante é que apesar da distância parecer longe é quase a mesma distância entre a cidade São Paulo (SP) e Salvador na Bahia.

BT: Como são os serviços públicos lá? Tem Sistema Único de Saúde (SUS)?

B: Lá na Argentina, infelizmente não tem SUS, eles não tem um sistema nacional de saúde. A população argentina vive o que vivíamos no Brasil nos anos 80, por exemplo. Quem tem acesso ao atendimento de saúde gratuito são as pessoas que tem carteira assinada. E, assim, somente aqueles que tem dinheiro para pagar é quem atendimento gratuito garantido pelo estado de forma nacional. Mas, Rosário, é uma exceção a essa regra porque lá há aproximadamente 20 anos devido ao governo da província de Santa Fé (Estado onde fica a cidade de Rosário) que assumiu a responsabilidade de prover atendimento gratuito a população e estrutura um sistema de saúde provincial que funciona para atender a população da região de Santa Fé.

BT: Nossa isso é impensável né?

B: Sim, é triste, mas essa é a realidade deles Rosário é uma exceção o sistema de lá não funciona para todo o país. E acho que a gente tem que ter isso em mente porque vemos hoje as ameaças que o SUS sofre e temos que defendê-lo, pois, se não ficarmos atentos ele pode ser tirado de nós novamente.

BT: E como é o atendimento em saúde mental? Ainda tem hospital psiquiátrico?

B: Olha gente, vi coisas problemáticas lá. Lá ainda existem muitos hospitais psiquiátricos. Visitei 2 hospitais um em Rosário com capacidade para internação de até 70 pessoas e outro na zona rural próxima a cidade de Rosário ainda maior onde haviam 200 pessoas internadas. Foi muito triste ver isso gente, fiquei muito abalado. Já tinha visitado hospitais em São Paulo, quando era estudante de psicologia, mas para mim a experiência que vivi lá foi muito mais chocante. Vi pessoas que estavam internadas há muitos anos e que poderiam estar fazendo seu tratamento em liberdade porque, inclusive, conseguimos fazer isso no Brasil. Vi muitas pessoas nuas perambulando pelo hospital, pessoas nuas amarradas em contenção física e hipermedicadas. O que me impressionou negativamente foi a atitude dos profissionais. A maioria dos profissionais que conheci nos hospitais, defendiam que aqueles usuários internados não teriam condição de fazer tratamento em liberdade e achavam que eles tem que fazer o tratamento internados. E eles estão lá há muitos anos. Ainda tem muito preconceito com o usuário de saúde mental, muita gente lá acham que eles são perigosos e tem que ficar internados.
Os serviços que cuidam de pessoas com uso de Álcool ou Outras Drogas são muito interessantes. Trabalham a partir do paradigma de Redução de Danos e com "Baixo nível de exigência" aos usuários. Ou seja, não se pede muito dos frequentadores. Articulam rede, oferecem aulas e oficinas, bolsas de ofício, dentre outros.


BT: Mas o tratamento em Saúde Mental por lá é só baseado em Manicômios?

B: Não, não só. Eles também tem serviços comunitários como Centros de Saúde, que lá são bem estruturados e outros Serviços de Saúde Mental. Visitei um Centro Cultural (Centro de Convivência) que tinha atividades artísticas e culturais. Era bem interessante. O que me espantou foi a falta de trabalhos mais efetivos na comunidade. A maior parte dos atendimentos é ambulatorial, de consultório e há poucas ações como as de saúde da família e psicossociais como as que temos aqui no Brasil, a partir dos nossos Centros de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

BT: E sobre Rosário e a Argentina o que você diz?

B: Você sabe que essa fama de que os Argentinos é um povo metido não é verdade. O que os próprios Argentinos dizem é que há uma diferença entre os Portenhos (População de Buenos Aires, a capital) e o restante do país. Em Rosário eles, inclusive, acham que os portenhos são "metidos". O que eu percebi em Rosário é que lá eles são muito solícitos, educados e atenciosos. Nos trataram muito bem e gostavam muito do Brasil, muitas pessoas que moram lá já visitaram o Brasil. A cidade é muito bonita, com construções históricas preservadas e cuidadas. Também achei muito interessante o fato que eles por lá em muitos lugares param o expediente produtivo entre 12h às 16h todo o dia. E lá o que vemos muito são as pessoas nos parques e praças nesses momentos desfrutando a vida. Isso foi muito importante porque me fez refletir sobre o estilo de vida que temos aqui onde quase nunca paramos para aproveitar mais a vida e o trabalho nos ocupa muito tempo. Outra questão que me chamou a atenção foi o fato deles serem muito politizados. Eles diferentemente da maioria dos brasileiros entendem que somos todos parte da América Latina e temos muitos aspectos culturais semelhantes. Eles vivem conflitos parecidos com o Brasil e alternam entre governos de esquerda e direita. Governos que investem mais nas políticas sociais que atendem a população e suas necessidades e outros governos que, como o atual Governo da Argentina, do Macri, e do Brasil, do Temer, que estão mais voltados para interesses particulares e para atender interesses da elite dominante, das empresas ou do mercado capitalista.







quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Postagem da Paz

Diante de toda violência e desordem do Dia a Dia, mostramos como pessoas podem resolver suas diferenças com bom humor.

Aos amigos Oswaldo e Rivaldo.



Entrevista com a Psicóloga Nayara Portilho

Hoje estamos recebendo a visita da psicóloga Nayara. Vamos aproveitar o espaço do Blog para entrevistá-la. Ressaltamos que a visita seja bem-vinda.


Nayara, o que você faz em São Paulo?

Eu faço uma Pós-Graduação, chamada Residência Multiprofissional. A minha é na Área de Saúde Coletiva e Atenção Primária. Nosso foco principal é trabalhar em Centro de Saúde, e também conhecer e aprender como se faz a Gestão dos serviços de saúde no nosso Estado. Tem muitas profissões: psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, médicos e dentistas. 


- Você já conhecia Campinas, Nayara?

Não, é a primeira vez que venho aqui.

Você já trabalha com pessoas, atendendo e etc?

Sim, trabalho. Em São Paulo, Capital, trabalho em uma UBS (Unidade Básica de Saúde), que em Campinas vocês chamam Centro de Saúde.

Nesses atendimentos e no seu trabalho, qual o maior problema que você percebe que a população enfrenta hoje em dia?

Temos discutido muito as relações humanas. Os problemas e as coisas boas da vida, as dificuldades, etc...

Relações humanas é amplo. Gostaríamos que você pudesse especificar.

 Trabalho em um bairro, Jardim Boa Vista, que é bastante vulnerável. Percebo muitos homens que chegam desempregados, isso causa muito sofrimento e preocupação. As famílias ficam ainda mais vulneráveis.
A questão da violência, também é muito presente. Assaltos, violência pelo tráfico, etc...

(Nilton) - Acho que o desemprego causa muitos problemas. A pessoa desempregada sofre muito, sem poder ajudar sua família, e isso causa também mais problemas e violência. 

Sim, isso é algo que podemos perceber.

O que vocês fazem para amenizar essa situação? Como vocês assistem essa população?

O modelo que trabalhamos é a Estratégia Saúde da Família. Fazemos visitas, conhecendo o contexto familiar, situacional, do território, etc... Trabalhamos também próximo à Assistência Social (CRAS E CREAS). Também oferecemos espaços de escuta, articulando estratégias de cuidado e assistência

(Rivaldo) A questão do desemprego não vai ser resolvida por psicólogos ou pela saúde, totalmente. As circunstâncias são diferentes, a depender das pessoas. Porque ou como um psicólogo pode ajudar nisso?

Compreendemos que as situações de vida, influem na saúde das pessoas. Ou seja, uma situação de vida pode acarretar em sofrimento psíquico, e com isso podemos trabalhar. Tentamos fazer um trabalho que não separe o sofrimento psíquico de todo o resto da vida de uma pessoa. A Assistência Social cuida das questões mais concretas e pragmáticas. E nós, psicólogos, oferecemos momentos de escuta, articulamos com outros profissionais, etc...

(Oswaldo) Como está a questão da saúde, emprego, etc?

A situação está difícil. Nosso prefeito, é o Doria. Vocês conhecem??

Conhecemos o João Doriana, ou o Prefake!

Hahahaha, é isso. O prefeito está cortando muitos serviços que o Estado deveria oferecer. A Cidade de São Paulo, na saúde, foi divida entre diversas OS's (Organizações Sociais), a depender da zona da cidade. Constatamos falta de insumos e materiais para trabalho, medicações, etc...
Sem dúvidas é um momento difícil, como está em Campinas, e também no cenário nacional.

São Paulo é uma cidade muita rica, o Estado também. A questão de São Paulo é política. Não é de crise financeira. Constatamos os desvios Estaduais, corrupção em nível Estadual, e o Tribunal de São Paulo parece muito conivente com os governantes. Não são investigados a fundo. E apesar disso, o governo vem cortando todos os projetos que beneficiam a população mais vulnerável.

Concordo. São Paulo poderia ter outra condição. A Justiça não parece tão imparcial, por vezes até seletiva.

(Nilton) Pois é, ontem quando tornaram públicas as denúncias contra Lula e Dilma, nem citavam as denúncias aos outros partidos.


(Giovanni) Há quanto tempo você está aqui?

Cheguei há dois dias, ainda estou entendendo como funciona Campinas.

Então tem 3 dias que você chegou em Campinas. Muita gente vem de São Paulo para cá.

Sim, nós ouvimos muito sobre a rede de Saúde de Campinas. E por isso temos muita vontade de conhecer.

Nayara, antes de encerrar, gostaríamos de saber suas impressões sobre Campinas e sobre o que você conheceu aqui.

Olha, começando pelo transporte público. É muito caro e muito ruim, principalmente se comparado com o preço.
A cidade eu gostei. Ela é grande, mas com uma cara de interior, muito acolhedora. Fui muito bem acolhida pelas pessoas, me senti muito feliz por isso. Pessoas muito afetuosas. Me fez lembrar da minha cidade natal, Uberlândia, Minas Gerais.

A rede de saúde me impressionou também. Vocês fazem ações de saúde muito interessantes, que em São Paulo ainda não tive a possibilidade de conhecer.

Estou muito agradecida pela oportunidade, e isso será muito importante para minha formação.
                                                         (Equipe Blog do Tear e Nayara)

 












quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A Flor da Pele

Hoje o Blog do Tear está muita treta!
Vários de nossos integrantes estão a Flor da Pele e algumas brigas e discussões estão acontecendo, inclusive entre a gente.
Por essa razão resolvemos conversar hoje sobre como lidamos e resolvemos os nossos problemas.
Na experiência de várias pessoas brigas acontecem e a gente perde a paciência. 
Então, hoje, o X da questão é a forma que cada um enfrenta ou reage frente a um problema.
Entre nós foi quase unânime: "Já nos exaltamos na vida"! Por causa disso já nos envolvemos em brigas, discussões e desentendimentos que infelizmente não terminarem bem.  
Existem experiências diferentes em nosso grupo há entre nós pessoas calmas, tranquilas e explosivas ou de "pavio curto".
Nós fomos criados em ambientes diferentes, alguns de nós vem de famílias extremamente difíceis onde ocorriam muitas brigas e discussões e isso teve reflexos na vida. Com certeza influencia ou influenciou nossas atitudes. Também convivemos com violências e desentendimentos no âmbito familiar. Algumas famílias resolviam na base da conversa, outras na base da gritaria ou literalmente na "base da porrada". Outras pessoas tiveram a experiência de que quando as coisas saiam do prumo elas eram controladas na base do olhar, um olhar firme de seus pais, mas que mostrava muita coisa.
Na adolescência já criamos muito caso e causamos muita confusão. Nos envolvemos em brigas sim e, inclusive, "saímos na mão" para resolver situações problemáticas que estávamos passando. Entendemos que isso se deveu a muita falta de diálogo e imaturidade da nossa parte. Já batemos e já apanhamos e compreendemos que a violência não resolve problema, só cria mais problemas.
No grupo tem até pessoas que acreditam serem muito explosivas e precisam de tratamento para controlar seus picos de agressividade.
Tem horas que a gente se chateia com a atitude de alguém e isso nos faz ficar nervosos. O que nos preocupa é a forma como reagimos e agimos influenciados por essa raiva. Entendemos que nós também provocamos raiva nas pessoas e nem sempre nos damos conta do que causamos e isso acaba gerando atrito.
As circunstâncias que a vida nos coloca faz parte do nosso processo de amadurecimento e nos ajuda a aprender coisas. Aprendemos a reconhecer que erramos também e que o calor do momento não é a melhor ocasião para apaziguar ou resolver um problema.
Um de nossos integrantes contou que passou por experiências amargas na infância e adolescência e que hoje em dia a superação dessas dificuldades colabora para ele ter mais equilíbrio e refletir melhor sobre as coisas que vive e faz. Para outra pessoa do grupo, que tem esquizofrenia, a agressividade já foi um grande problema porque devido ao seu transtorno mental teve muitos desentendimentos na vida. Porém, hoje lida bem melhor com isso porque faz tratamento e descobriu na poesia e na arte uma forma muito eficaz de extravasar suas angustias e sentimentos. Hoje dia o que chama muito a atenção dele é o fato dele ter ido procurar tratamento para lidar com seus problemas, mas muitas pessoas com as quais ele convive continuam agressivas e lhe causam sofrimento e não procuram se cuidar.
Constatamos que todos tem problemas e que grande parte dos problemas que temos e nos envolvemos, está bastante relacionado a outros problemas, como problemas financeiros e pessoais. A situação de crise que nosso país atravessa, por exemplo, colabora muito para os ânimos ficarem exaltados e as pessoas se agredirem mutuamente.
Todo mundo precisa entender e aceitar que a forma de resolver os problemas é na base da conversa.
Sobre o tratamento entendemos que as pessoas precisam de ajuda para resolver seus problemas e o tratamento é muito importante para isso. Tratamento não é só para "doido" como as vezes umas pessoas dizem. É preciso aceitar que temos problemas e que as vezes sozinhos não conseguiremos resolver e podemos precisar do apoio de um profissional de saúde.



Deixamos aqui alguns pensamentos do dia:

"O jogo é perde e ganha: tanto bate quanto apanha"
"A gente não faz as coisas sozinho. Quando um não quer, dois não brigam"

"Parar, pensar, refletir e dialogar."
"As vezes a bola de gude vira bola de neve."

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Vivendo no Absurdo: Como viver e conviver com a crise política, social e econômica que estamos vivendo no Brasil

Hoje, 9 de agosto,  completamos 7 anos do nosso Blog e como sempre presenteamos vocês e nós com debates e conversações sobre a vida e a nossa realidade o que é nossa maior virtude.
Chegamos a conclusão de que uma situação está nos tomando a vida. Na nossa opinião essa situação é absurda! Estamos falando da crise política, social e econômica que nosso país atravessa. 
Para grande parte dos nossos membros a situação política tem responsabilidade direta da classe política e em especial nossa atual governo federal. Começando pelo presidente, percebemos que grande parte dos políticos brasileiros estão compromissados com os próprios interesses ou com os interesses daqueles que os financiam, como grandes empresários e pessoas muito ricas que só enxergam os seus próprios interesses.
Na nossa análise esse cenário começa há muitos anos atrás quando algumas reformas se iniciaram. Um ponto que temos acordo é o ataque que a Educação Pública vem sofrendo a décadas. Por exemplo, grande parte das escolas públicas hoje tem um regime de funcionamento em que os estudantes tem aprovação quase que automática sem que seja necessário os estudantes demonstrarem resultados que justifiquem sua aprovação. Na nossa opinião, essas e outras medidas influenciaram na formação política, social e cultural de nossa população e isso nos tornou ainda mais frágeis e ignorantes o que colabora para nossa paralisação e  dificuldade em perceber os ataques aos nossos direitos e conquistas.
Entendemos que temos sido usados como massa de manobra a serviço dos interesses que não nos beneficiam. Achamos que a televisão brasileira tem sido o grande instrumento de convencimento e enganação do povo.
Parece que os governantes hoje querem que a gente volte para trás. Lembramos dos anos 80 quando, apesar das pessoas terem emprego a inflação era altíssima e os preços eram reajustados quase que diariamente. O que fazia com que a população tivesse o poder aquisitivo baixíssimo e a gente quase não conseguia comprar nada. A saúde pública era restrita e só conseguia ter acesso quem tinha emprego com carteira assinada em uma época que a maioria das pessoas era trabalhador informal. A educação pública se dizia de qualidade, porém, o número de vagas era insuficiente para atender a população, o índice de evasão escolar era altíssimo e a maioria das pessoas não conseguia concluir o ensino fundamental.
Conversamos sobre as questões vividas na experiência de cada uma das pessoas. Entendemos que desde os tempos da ditadura militar temos problemas relacionados a disputa por modelos econômicos e de sociedade. Independentemente do partido no poder existem coisas na nossa vida que são necessárias para todas as pessoas terem o mínimo básico para conseguir sobreviver. 
Estamos em um dilema porque estamos sofrendo...mas a discussão acaba aqui continua na próxima semana...









7 anos do Blog do Tear

Éééé hoje gente!
No dia de hoje o Blog do Tear  faz 7 anos!
Uau pessoal!!!
7 anos no ar! Estamos emocionados!


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Ilustre visita das Jovens Superstars

Hoje o Grupo do Blog do Tear recebeu duas convidadas que acompanharam uma das integrantes de nosso grupo. Ambas são de São Paulo: Katelyn (17) e Samara (15). Katelyn diz que integra um grupo de RAP feminino, na região de Interlagos e Grajaú (local de origem do músico e rapper Criolo), Zona Sul de São Paulo. O grupo se chama Ladies, e é composto por quatro mulheres. Tivemos um bate papo bem interessante e compartilhamos aqui com vocês um pouco dessa nossa entrevista com essas visitantes tão ilustres.

Segundo um dos nossos membros a sigla RAP (que em inglês significa Ritmo e Poesia) tem o sentido real de Ritmo, Amor e Poesia ou Revolução Através das Palavras! É uma arte urbana que convida as pessoas a refletirem sobre seu cotidiano através de músicas e rimas. Ainda sobre o RAP, nossas convidadas nos dizem que apesar da origem estrangeira (Estados Unidos), o brasileiro deixa uma marca muito forte quando compartilha de um movimento cultural. Sobre isso Katelyn  nos diz que "A gente não copia, porque o brasileiro sempre deixa sua essência, fazendo algo original".

Katelyn nos diz que a base do RAP é feita por uma pessoa que sabe mixar e fazer a batida ou beat. Há um produtor que faz o arranjo de vozes e etc... Em cima das batidas, as cantoras cantam suas letras.

Nilton, integrante de nosso grupo, pergunta sobre o envolvimento político das convidadas, na cidade de São Paulo.

"Estamos tentando ficar de olho e aprender sobre a política. De fato, a situação está muito difícil. Discutimos muito sobre o Bolsonaro (Jair Bolsonaro, Deputado Federal pelo Rio de Janeiro e possível candidato a presidente na Eleição de 2018). Somos muito contra o Bolsonaro e suas ideias. Especialmente em relação à aproximação com os militares e a ideia da volta da ditadura."

Nilton pergunta também porque as pessoas não saem mais às ruas, como saíram em 2013, antes da saída de Dilma.

"Isso é por causa da Globo e da grande mídia. Houve uma grande campanha para tirar a Dilma. Porém agora, eles não mostram os "Fora Temer" que vemos por aí. Essas "Reformas" do Governo, não estão ai para ajudar e melhorar a vida do povo."

Conversamos sobre a orientação política de nossas convidadas, como de esquerda ou direita e isso deu possibilidade de uma reflexão bem interessante em que falamos desde a situação do país em diversas áreas como educação, saúde, cultura e transporte.

Dessa conversa algumas reflexões ficaram marcadas na nossa mem´rioa e aqui dividimos com vocês:

"A arte abre portas"

"A arte não é ingrata mas, as pessoas sim."

"Eu gosto de RAP porque abre mentes"

Obs: Recebemos das nossas visitantes uma dica de um video-documentário muito interessante que fala sobre a situação da educação no Brasil, anotem aí!  
"Pro dia nascer feliz (Filme)"

quarta-feira, 12 de julho de 2017

os exercicios fisicos são fundamentais para o nosso dia dia muitas vezes a gente nao tem tempo mais a gente se programa algumas pessoas contaram quando eram jovens que nadaram muito nos rios hoje em dia nas cidades grandes e dificil para procurar exercicios a gente sabe que exercicio fisicos são bons para nossa saude mental e para o nosso corpo quando a gente faz exercicios é bom se alimentar melhor tem lugares que nossa cidade nos oferece po exemplo taquaral lagoa do mingone e as praças que tem os aparelhos de exercicios (...)
    tem tanbem o estica velho.
 tem muitos exercicios adrenalina  natação caminhada todos eles são importantes

 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Relacionamentos e Convivência: Dependência e Espaço Próprio

Hoje o Grupo do Blog do Tear discutiu relacionamentos. Viver em conjunto, em sociedade ou com outra pessoa, é um desafio.
Relacionar-se com alguém é a mesma coisa que ficar dependente de alguém? É possível relacionar-se com alguém e manter nossa autonomia, nosso próprio espaço e não se sentir sufocado? Algumas pessoas do grupo apontam que viver em sociedade significa que estaremos, em alguma medida, dependente de outras pessoas (pessoas que plantam e fazem nossa alimentação, quando somos crianças e bebês, dependemos de nossos pais ou cuidadores, pessoas que tem doenças crônicas ou dificuldades de se locomover dependem de ajuda, etc...)

Relacionar-se com alguém é um exercício cotidiano de tolerância (às manias, modos de ser, dificuldades e etc...). Algumas pessoas do grupo apontam que em nossa sociedade atual, as relações, por vezes, assumem uma lógica de posse. Ou seja, as pessoas se relacionam como se fossem donos das outras, em uma relação de  objeto. Exigem satisfação, não levam em conta a outra pessoa. Algumas pessoas, segundo o grupo, gostam dessa posição, mas dizem que isso tira a autonomia da pessoa.

O que faz, então, um relacionamento possível? Como preservar nosso espaço individual e autonomia, em uma relação, amorosa ou não? O grupo aponta algumas dicas: respeito, exercitar a tolerância (compreender o outro) e especialmente o diálogo.

No diálogo, e quando gostamos de alguém, corremos o risco de sermos enganados, ou confiar demais nas pessoas. Como se preservar disso? A confiança é construída de que maneira? A aposta no diálogo e na conversa é a ideia do grupo.

Diferente das novelas e relacionamentos amorosos de filmes, o roteiro de nossa vida não é inventado. Somos nós quem o fazemos, e temos a possibilidade de mudar.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Inspiração

Na vida e na nossa interação com o mundo muita coisa nos inspira para criar, fazer e desenvolver coisas. Mas afinal o que nos inspira? Por exemplo, um membro de nosso Blog é artista e desenhista. Ele desenvolve sua arte a mão livre a partir de ideias que surgem na sua mente a partir de qualquer coisa que comece a pensar. Inclusive, iremos publicar em nosso Blog os desenhos e ilustrações que ele produz. 
"Blog Laden" - Ilustração Artista: Talibã Grafitti
Outras pessoas tem inspiração vindas de coisas diferentes. No nosso grupo tem pessoas que ouvem vozes que conversam com elas sem que as outras pessoas ouçam. E para quem pensa que as vozes são ruins, pelo contrário as vozes podem ser boas e também dar ideias sobre novas invenções e formas de lidar com situações da vida cotidiana.
Um exemplo que também é inspirador para muitos de nós é a religião. Na religião e no contato com "Deus" muitas pessoas sentem que uma energia é emanada e que isso serve de inspiração, conforto e também nos dá força para realizar coisas.
A ciência também serve de inspiração para nossa vida as explicações fornecidas pelo conhecimento acumulado pela humanidade em seus estudos e pesquisas nos ajudam a pensar e entender o mundo.
E nesse contexto, todo perguntas fundamentais nos surgem. 
Por exemplo, existe vida após a morte?
Para parte do nosso grupo o surgimento do homem se deu a partir da evolução dos primatas. A ciência serve de inspiração e nos fornece explicações que são a partir de provas encontradas em evidências graduais observadas ao longo da história e, portanto, acreditam que não existe vida após o final da matéria que se encerra com a morte.
Mas, no nosso grupo também há quem acredite que existe sim vida após a morte e que o que os inspira são modelos explicativos que foram criados a partir das religiões e do conhecimento popular e, assim sendo, entendem que o nosso espírito continua existindo mesmo que nosso corpo não exista mais. Somos compostos de energia e existem energias universais que vem de "Deus", dos planetas e também da natureza.

Equipe Blog do Tear


quarta-feira, 31 de maio de 2017

TERRApia






No dia 24 de maio de 2017 estivemos nas atividades de comemoração de 1 ano da horta comunitária do Centro de Saúde Tancredão, que fica no bairro Novo Campos Elíseos, no Distrito de Saúde Sudoeste, em Campinas.

Tinha muita gente lá. Aprendemos muita coisa! Nossos Blog repórteres estiveram lá e acompanharam tudo que rolou na quarta durante o dia todo. Apresentamos aqui então, em primeira mão, nossa matéria contando sobre como foi esse dia tão maravilhoso.

Na parte da manhã estava acontecendo uma palestra com a participação de representantes do Centro de Convivência e Cooperativa Toninha (CeCCo Toninha) e da Casa de Cultura Tainã. Nessa palestra foi abordado o tema do direito a terra, a necessidade de nos reapropriarmos da nossa produção vegetal, agricultura e principalmente a importância de cultivar plantas que tem a ver com nossa origem histórica e social.

Os representantes da Horta Comunitária também estavam lá e nos contaram sobre a história desse projeto e o como ele está funcionando até hoje.

 “Foi ótimo, foi uma experiência muito comunicativa” (Osvaldo Souza dos Santos – Repórter Blog do Tear)

“Pra mim foi uma experiência muito boa, na atividade da horta, inclusive conhecer coisas que eu não conheço. Eu que fui criado na roça, foi ótimo. Na horta tem temperos, tem chá, tem saladas, tem remédios e tem qualquer coisa que você pensar pra dores, que hoje às vezes as pessoas nem usam mais e que antigamente a gente usava pra tudo, nem os médicos conhecem” (Alcino Ferreira da Cruz – Repórter Blog do Tear)

“Achei legal e muito popular. Foi bom. Um lugar com muito propósito pra se falar e se conversar sobre as plantas e sobre a horta. Como plantar sementes na horta pra crescerem plantas bonitas, boas. Como a gente cuidar bem delas e não deixar os bichos comer as plantas para não ficarem todas moídas e nem roídas. Aprender a aguar as plantas todo o dia pras plantas crescerem saudáveis e fortes, tem que aguar nas horas certas, todos os dias. Cuidar bem” (Wijaverson dos Santos Campos – Repórter Blog do Tear)

Foi contada a história da horta e das plantas. Aprendemos que existem árvores que duram até “6 mil anos”. Tem que cuidar bem para elas viverem muito! (Wijaverson dos Santos Campos – Repórter Blog do Tear)

                                                 (Wijaverson dos Santos Campos)                                                   

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Alguns integrantes do Blog do Tear também participaram das atividades no período da tarde. Estes contam que os usuários que participam da Casa de Cultura Andorinhas fizeram uma apresentação de dança popular.

Além disso, puderam participar de uma ciranda de ervas, a qual consiste em uma roda de conversa para trocar conhecimentos sobre as mais variadas plantas medicinais presentes na Horta Comunitária do Tancredão. Nessa atividade, também puderam experimentar chás e água saborizada!

Ainda, tiveram a oportunidade de assistir ao concurso de culinária saúdavel, com alimentos naturais. Nesse concurso, diversos convidados levaram suas receitas para a população experimentar!


"Muito bom, maravilhoso! Eu adorei. Pude rever amigos. Acho muito importante espaços como esse, muitas pessoas aproveitaram. Tinha um pessoal do CAPS Davi Capistrano e do Novo Tempo lá também".
Depoimento do Nilton Lisboa Silva (Repórter do Blog do Tear)


"Horta Comunitária do Tancredão
A Horta Comunitária do Tancredão é uma Atividade que o Pessoal do Blog do Tear participou nos dias de 4a Feira,5a Feira e 6a Feira(24,25 e 26 de Maio de 2017). Eu Estive lá na 4a Feira Passada e Participei do Grupo da Dança. O Grupo da Dança foi super legal, Ele Era Composto por Homens e Mulheres. Eles Apresentaram Dança Nordestina, e A Platéia Gostou Muito Eu Vi Coisas de Comer Que Eu Não Gosto Muito Como POr Exemplo Kibe e Repolho e Sopa de Ervilhas,Porem As Pessoas Que Estavam la nesse Evento Gostam Bastante desse Tipo de Alimento Pois Para Elas Esses Alimentos Sâo Mais Saudáveis e Não Tem Agrotòxico. Eu Dancei Com o Pessoal da Dança Nordestina e Gostei Bastante Por Quê Eu Me Senti Bem e Confortável Nesse Período Que Eu Dancei Eu Me Senti Feliz Por Que Me Fez Esquecer o Problema Que Eu Tinha Tido. Eu Aprendi a Dançar Super Bem Com o Pessoal da Dança.
Foi Isso Que Eu Aprendi"
Depoimento do Giovane Tessari (Reporter Blog do Tear)

                   (Casa de Cultura Tainá, Ana Paula e Idílio, responsáveis pela horta no C.S. Tancredão)
                  (Os irmãos Márcio e Dona Paulina, usuários do C.S. e participantes do projeto da horta)
                                   (Entrevista com Márcio, feita por Oswaldo e Bruno)

                                                         (Equipe Blog do Tear)


                                               (Idílio, um dos profissionais do C.S.)



  (As placas de identificação exibem símbolos que mostram as possíveis formas de uso das   plantas: medicinal, gastronômica e para chás, na imagem acima.)